AFINAL O QUE É O YOGA

A existência e origem do yoga perde-se no tempo, diz-se que existe há mais de 5000 anos mas ninguém sabe ao certo. Atualmente o yoga atingiu uma projeção mundial com milhões de seguidores e continua a ser cada vez mais procurado.
Mas afinal o que é que o yoga tem de tão especial que atravessa gerações e gerações sem se perder no tempo e continua presente, totalmente adaptado ás gerações atuais?
A sua riqueza não está no contorcionismo ou qualquer ginástica exótica, isso são visões distorcidas e redutoras do yoga, trata-se de uma cultura de desenvolvimento pessoal que ensina o ser a identificar-se com a sua própria natureza num modo de vida coerente com esta visão, por isso o yoga é um meio e um fim em si mesmo.
O PRATICANTE
Existe uma ideia acerca das pessoas que praticam yoga, são pessoas calmas, resolvidas, sem problemas e em perfeita harmonia. Esse é o ideal, mas a realidade não é bem assim, somos todos humanos e nascemos todos com os mesmos potenciais problemas, tudo depende das escolhas que fazemos e do rumo que damos á vida.
O yoga não é remédio para nada mas pode ajudar e muito, desde que se pratique com alguma regularidade. É realmente preciso dedicar-lhe algum tempo, trata-se de uma troca proporcional – o yoga dá á medida que se lhe dá oportunidade de mostrar os seus efeitos. No meu caso não dou por desperdiçado o tempo que dedico ao yoga: dá-me boa disposição e lucidez, faz-me gerir melhor o tempo, organizo-me melhor, por isso dizer que não tenho tempo para o yoga é constatar que ando muito desorganizada.
Quando se começa a praticar, em pouco tempo se começa a sentir os efeitos positivos no corpo, na mente, no sono, na respiração e na saúde em geral. Tal como relata Camila Reitz, este primeiro passo é como dar uma boa limpeza numa casa abandonada, quando se limpa a primeira vez vê-se um grande melhoramento, mas habitando nela todos os dias começamos a perceber que existem muitas outras coisas a serem consertadas e muito lixo nos cantos, por trás dos armários, etc. Por isso quando começamos a praticar, os efeitos positivos são rapidamente evidentes, só que estes efeitos positivos são superficiais, o bem-estar que experimentamos quando estamos em aula e até levamos para casa, não se mantem, só quando dedicamos algum tempo ao yoga e ao estudo é que podemos mudar os nossos condicionamentos mais profundos ou seja a maneira como vemos as coisas, como nos autoanalisamos e o modo como lidamos com as dificuldades. O yoga é um processo de mudança e essa mudança não pode ser rápida, é progressiva e acontece se praticarmos com perseverança e sem nunca desistirmos.
O QUE NOS IMPEDE DE PRATICAR
Neste caminho do yoga há vários obstáculos que nos impedem de praticar. Um deles é a falta de um pequeno espaço, não é preciso muito, basta um local onde caiba um tapete, que seja arejado, onde não haja necessidade de arredar móveis para ter espaço. Um outro obstáculo é a preguiça, quando ela aparece, quando a mente nos atira mil desculpas para não praticarmos, lembrem-se do que sentem depois de uma prática. Existem também os impedimentos pontuais que sempre surgem quando estamos doentes. Qualquer pessoa pode praticar, mesmo que tenha limitações porque o yoga é adaptável a todos os tipos de corpos e suas condições. A vontade e perseverança de cada um ditam a frequência da prática porque é a constância que desperta para o auto conhecimento e equilíbrio interior. A prática treina o ato de nos mantermos presentes, desenvolvendo a concentração e capacidade de foco, conexão entre o que pensamos e o que sentimos e isto torna a mente mais objetiva para poder ver as coisas como elas são e não como os nossos sentidos e condicionamentos nos mostram, isto torna a vida mais real.
A PROGRESSÃO
Quando se começa a praticar há um entusiasmo que é despertado pelo rápido progresso que se verifica e pelo bem estar que se sente, só que estes efeitos positivos são superficiais, o bem-estar que experimentamos quando estamos em aula e até levamos para casa, não se mantem, só quando há regularidade é que os efeitos se instalam.
Por vezes acontece que mesmo praticando regularmente evoluímos pouco, mas às vezes um passo atrás é na verdade uma longa caminhada para a frente.
No caminho do yoga é importante ir com calma, mudando hábitos de forma tranquila, equilibrada e sem querer controlar, tem de ser algo que saia de dentro para fora.
CONSELHOS ÚTEIS PARA QUEM SE INICIA NA PRÁTICA DO YOGA
O primeiro conselho é lembrar que você é o responsável pela integridade e saúde do seu corpo. Um professor competente assume consigo essa responsabilidade.
Se tiver algum problema de saúde ou limitação o professor tem de saber para o ensinar a adaptar a prática a si.
Evite praticar quando estiver doente, mesmo que seja uma doença passageira.
Evite as posturas de inversão durante o período menstrual e nos últimos meses da gestação
Faça a prática longe das refeições.
Esvazie os intestinos e a bexiga antes de iniciar.
Escolha roupas de tecidos naturais, leves e confortáveis.
Tire relógio, pulseiras, colares ou outros que possam impedir o livre movimento ou a circulação do sague.
No yoga não há competição, não se perca a olhar para os outros, concentre-se na sua prática e faça o que é razoável para si.
Esforce-se mas não force.
Mantenha a atenção na respiração, principalmente nas posturas de permanência.
MEDICINA E YOGA BASEADA NAS EVIDÊNCIAS – AS EVIDENCIAS CIENTÍFICAS
No mundo atual as evidências científicas têm um peso muito grande na credibilidade. O yoga tem sido alvo de muitos estudos científicos e as evidências dos seus benefícios são inegáveis, assistimos a um crescimento significativo no número de investigações que abordam o impacto do yoga na saúde e no bem-estar.
Neuroimagem ou imagem cerebral é o uso de várias técnicas para imagem, direta ou indiretamente, da estrutura, do sistema nervoso. Essa é uma disciplina relativamente nova dentro da medicina, neurociência e psicologia.
Estas grandes máquinas poderem ver a atividade cerebral e registar mudanças específicas na atividade cerebral e também mudanças na estrutura do cérebro. Os estudos revelam que as práticas meditativas podem realmente mudar a atividade cerebral.
Quando sentamos para meditar, paramos, concentramos a atenção e isso muda a atividade cerebral de uma forma muito específica. Não só isso, mas ao longo do tempo realmente alteramos a estrutura do cérebro, através daquilo que é denominado por plasticidade cerebral, ou seja, existem mudanças positivas na estrutura do cérebro em função das práticas físicas, contemplativas e meditativas.
Biologia molecular, estuda a ação dos neurotransmissores e a ação das moléculas no cérebro. Existem estudos que mostram que um neurotransmissor importante é afetado após uma única aula de yoga e há estudos que mostram que a expressão do nosso ADN, a atividade dos nossos genes altera-se com estas práticas, melhoramos a atividade dos genes que nos é benéfica, tal como a resposta do sistema imunológico.

“O yoga é muito mais do que uma prática feita em cima de um tapete antiderrapante e o seu resultado vai muito mais além de meros benefícios físicos. O yoga é um meio de conhecimento e um estilo de vida condizente, cujo propósito é o autoconhecimento. Este autoconhecimento não é mais do que o reconhecimento da nossa natureza real como sendo livre de qualquer tipo de limitação. ”
Glória Arieira